Este blog foi criado para apresentar a filosofia aos meus alunos e a todos os que se interessarem. O objetivo é fazer com que os jovens possam ter acesso ao conteúdo filosófico de forma lúdica e acessível. Maria Aparecida Souza Oliveira
sábado, 25 de novembro de 2017
quarta-feira, 8 de novembro de 2017
Jean Paul Sartre
Ludwig Wittgenstein
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segunda-feira, 9 de outubro de 2017
domingo, 10 de setembro de 2017
Immanuel Kant e o Imperativo Categórico.
Natureza humana e dever
O cristianismo introduz a ideia do
dever para resolver um problema ético, qual seja, oferecer um caminho seguro
para nossa vontade, que, sendo livre, mas fraca, sente-se dividida entre o bem
e o mal. No entanto, essa ideia cria um problema novo. Se o sujeito moral é
aquele que encontra em sua consciência (vontade, razão, coração) as normas da
conduta virtuosa, submetendo-se apenas ao bem, jamais submetendo-se a poderes
externos à consciência, como falar em comportamento ético por dever? Este não
seria o poder externo de uma vontade externa (Deus), que nos domina e nos impõe
suas leis, forçando-nos a agir em conformidade com regras vindas de fora de
nossa consciência?
Em outras palavras, se a ética
exige um sujeito autônomo, a ideia de dever não introduziria a heteronomia,
isto é, o domínio de nossa vontade e de nossa consciência por um poder estranho
a nós?
Um dos filósofos que procuraram
resolver essa dificuldade foi Rousseau, no século XVIII. Para ele, a
consciência moral e o sentimento do dever são inatos, são “a voz da Natureza” e
o “dedo de Deus” em nossos corações. Nascemos puros e bons, dotados de
generosidade e de benevolência para com os outros. Se o dever parece ser uma
imposição e uma obrigação externa, imposta por Deus aos humanos, é porque nossa
bondade natural foi pervertida pela sociedade, quando esta criou a propriedade
privada e os interesses privados, tornando-nos egoístas, mentirosos e
destrutivos.
O dever simplesmente nos força a
recordar nossa natureza originária e, portanto, só em aparência é imposição
exterior. Obedecendo ao dever (à lei divina inscrita em nosso coração), estamos
obedecendo a nós mesmos, aos nossos sentimentos e às nossas emoções e não à
nossa razão, pois esta é responsável pela sociedade egoísta e perversa. Uma
outra resposta, também no final do século XVIII, foi trazida por Kant. Opondo-se
à “moral do coração” de Rousseau, Kant volta a afirmar o papel da razão na
ética. Não existe bondade natural. Por natureza, diz Kant, somos egoístas,
ambiciosos, destrutivos, agressivos, cruéis, ávidos de prazeres que nunca nos
saciam e pelos quais matamos, mentimos, roubamos. É justamente por isso que
precisamos do dever para nos tornarmos seres morais.
A exposição kantiana parte de duas
distinções:
1. a distinção entre razão pura
teórica ou especulativa e razão pura prática;
2. a distinção entre ação por
causalidade ou necessidade e ação por finalidade ou liberdade.
Razão pura teórica e prática são
universais, isto é, as mesmas para todos os homens em todos os tempos e lugares
– podem variar no tempo e no espaço os conteúdos dos conhecimentos e das ações,
mas as formas da atividade racional de conhecimento e da ação são universais.
Em outras palavras, o sujeito, em ambas, é sujeito transcendental, como vimos
na teoria do conhecimento. A diferença entre razão teórica e prática
encontra-se em seus objetos. A razão teórica ou especulativa tem como matéria
ou conteúdo a realidade exterior a nós, um sistema de objetos que opera segundo
leis necessárias de causa e efeito, independentes de nossa intervenção; a razão
prática não contempla uma causalidade externa necessária, mas cria sua própria
realidade, na qual se exerce.
Essa diferença decorre da
distinção entre necessidade e finalidade/liberdade.
A Natureza é o reino da
necessidade, isto é, de acontecimentos regidos por sequências necessárias de
causa e efeito – é o reino da física, da astronomia, da química, da psicologia.
Diferentemente do reino da Natureza, há o reino humano da práxis, no qual as
ações são realizadas racionalmente não por necessidade causal, mas por
finalidade e liberdade.
A razão prática é a liberdade como
instauração de normas e fins éticos. Se a razão prática tem o poder para criar
normas e fins morais, tem também o poder para impô-los a si mesma. Essa
imposição que a razão prática faz a si mesma daquilo que ela própria criou é o
dever. Este, portanto, longe de ser uma imposição externa feita à nossa vontade
e à nossa consciência, é a expressão da lei moral em nós, manifestação mais
alta da humanidade em nós. Obedecê-lo é obedecer a si mesmo. Por dever, damos a
nós mesmos os valores, os fins e as leis de nossa ação moral e por isso somos
autônomos.
Resta, porém, uma questão: se
somos racionais e livres, por que valores, fins e leis morais não são
espontâneos em nós, mas precisam assumir a forma do dever?
Responde Kant: porque não somos
seres morais apenas. Também somos seres naturais, submetidos à causalidade
necessária da Natureza. Nosso corpo e nossa psique são feitos de apetites,
impulsos, desejos e paixões. Nossos sentimentos, nossas emoções e nossos
comportamentos são a parte da Natureza em nós, exercendo domínio sobre nós,
submetendo-se à causalidade natural inexorável. Quem se submete a eles não pode
possuir a autonomia ética.
A Natureza nos impele a agir por
interesse. Este é a forma natural do egoísmo que nos leva a usar coisas e
pessoas como meios e instrumentos para o que desejamos. Além disso, o interesse
nos faz viver na ilusão de que somos livres e racionais por realizarmos ações
que julgamos terem sido decididas livremente por nós, quando, na verdade, são
um impulso cego determinado pela causalidade natural. Agir por interesse é agir
determinado por motivações físicas, psíquicas, vitais, à maneira dos animais.
Visto que apetites, impulsos,
desejos, tendências, comportamentos naturais costumam ser muito mais fortes do
que a razão, a razão prática e a verdadeira liberdade precisam dobrar nossa
parte natural e impor-nos nosso ser moral. Elas
o fazem obrigando-nos a passar das motivações do interesse para o dever.
Para sermos livres, precisamos ser obrigados pelo dever de sermos livres.
Assim, à pergunta que fizemos no
capítulo anterior sobre o perigo da educação ética ser violência contra nossa
natureza espontaneamente passional, Kant responderá que, pelo contrário, a
violência estará em não compreendermos nossa destinação racional e em
confundirmos nossa liberdade com a satisfação irracional de todos os nossos
apetites e impulsos. O dever revela nossa verdadeira natureza.
O dever, afirma Kant, não se
apresenta através de um conjunto de conteúdos fixos, que definiriam a essência
de cada virtude e diriam que atos deveriam ser praticados e evitados em cada
circunstância de nossas vidas. O dever não é um catálogo de virtudes nem uma
lista de “faça isto” e “não faça aquilo”. O dever é uma forma que deve valer
para toda e qualquer ação moral.
Essa forma não é indicativa, mas
imperativa. O imperativo não admite hipóteses (“se... então ”) nem condições
que o fariam valer em certas situações e não valer em outras, mas vale
incondicionalmente e sem exceções para todas as circunstâncias de todas as
ações morais. Por isso, o dever é um imperativo categórico. Ordena
incondicionalmente. Não é uma motivação psicológica, mas a lei moral interior.
O imperativo categórico exprime-se
numa fórmula geral: Age em conformidade apenas com a máxima que possas querer
que se torne uma lei universal. Em outras palavras, o ato moral é aquele que se
realiza como acordo entre a vontade e as leis universais que ela dá a si mesmo.
Essa fórmula permite a Kant
deduzir as três máximas morais que exprimem a incondicionalidade dos atos
realizados por dever. São elas:
1. Age como se a máxima de tua
ação devesse ser erigida por tua vontade em lei universal da Natureza;
2. Age de tal maneira que trates a
humanidade, tanto na tua pessoa como na pessoa de outrem, sempre como um fim e
nunca como um meio;
3. Age como se a máxima de tua
ação devesse servir de lei universal para todos os seres racionais.
A primeira máxima afirma a
universalidade da conduta ética, isto é, aquilo que todo e qualquer ser humano
racional deve fazer como se fosse uma lei inquestionável, válida para todos e
em todo tempo e lugar. A ação por dever é uma lei moral para o agente.
A segunda máxima afirma a
dignidade dos seres humanos como pessoas e, portanto, a exigência de que sejam
tratados como fim da ação e jamais como meio ou como instrumento para nossos
interesses.
A terceira máxima afirma que a
vontade que age por dever institui um reino humano de seres morais porque
racionais e, portanto, dotados de uma vontade legisladora livre ou autônoma. A
terceira máxima exprime a diferença ou separação entre o reino natural das
causas e o reino humano dos fins.
O imperativo categórico não
enuncia o conteúdo particular de uma ação, mas a forma geral das ações morais.
As máximas deixam clara a interiorização do dever, pois este nasce da razão e
da vontade legisladora universal do agente moral. O acordo entre vontade e
dever é o que Kant designa como vontade boa que quer o bem.
O motivo moral da vontade boa é
agir por dever. O móvel moral da vontade boa é o respeito pelo dever, produzido
em nós pela razão. Obediência à lei moral, respeito pelo dever e pelos outros
constituem a bondade da vontade ética.
O imperativo categórico não nos
diz para sermos honestos, oferecendo-nos a essência da honestidade; nem para
sermos justos, verazes, generosos ou corajosos a partir da definição da essência
da justiça, da verdade, da generosidade ou da coragem. Não nos diz para
praticarmos esta ou aquela ação determinada, mas nos diz para sermos éticos
cumprindo o dever (as três máximas morais). É este que determina por que uma
ação moral deverá ser sempre honesta, justa, veraz, generosa ou corajosa. Ao
agir, devemos indagar se nossa ação está em conformidade com os fins morais,
isto é, com as máximas do dever.
Por que, por exemplo, mentir é
imoral? Porque o mentiroso transgride as três máximas morais. Ao mentir, não
respeita em sua pessoa e na do outro a humanidade (consciência, racionalidade e
liberdade), pratica uma violência escondendo de um outro ser humano uma
informação verdadeira e, por meio do engano, usa a boa-fé do outro. Também não
respeita a segunda máxima, pois se a mentira pudesse universalizar-se, o gênero
humano deveria abdicar da razão e do conhecimento, da reflexão e da crítica, da
capacidade para deliberar e escolher, vivendo na mais completa ignorância, no
erro e na ilusão.
Por que um político corrupto é
imoral? Porque transgride as três máximas. Por que o homicídio é imoral? Porque
transgride as três máximas.
As respostas de Rousseau e Kant,
embora diferentes, procuram resolver a mesma dificuldade, qual seja, explicar
por que o dever e a liberdade da consciência moral são inseparáveis e
compatíveis. A solução de ambos consiste em colocar o dever em nosso interior,
desfazendo a impressão de que ele nos seria imposto de fora por uma vontade
estranha à nossa.
sábado, 9 de setembro de 2017
A TEORIA ÉTICA UTILITARISTA
Segundos Anos
TEORIA
ÉTICA CONSEQUENCIALISTA
As
consequências de uma ação é que determinam se é moralmente correta ou
incorreta.
TEORIA
ÉTICA HEDONISTA
Todas as atividades humanas têm um objetivo
último, isto é, são meios para uma finalidade que é o ponto de convergência de
todas. Esse fim é a felicidade ou bem-estar. Mais propriamente procuramos em
todas as atividades a que nos dedicamos viver experiências aprazíveis e evitar
experiências dolorosas ou desagradáveis. Esta perspectiva que identifica a
felicidade com o prazer ou o bem-estar tem o nome de hedonismo. Mas trata – se
da felicidade geral e não da individual.
O CRITÉRIO
DA MORALIDADE DE UMA AÇÃO
Segundo Mill a utilidade é o que torna uma ação
moralmente valiosa. O critério da moralidade de um ato é o princípio de
utilidade. Este princípio é o teste da moralidade das ações. Uma ação deve ser
realizada se e só se dela resultar a máxima felicidade possível para as pessoas
ou as partes que por ela são afetadas. O princípio de utilidade é por isso
conhecido também como princípio da maior felicidade. A ideia central do
utilitarismo é a de que devemos agir de modo a que da nossa ação resulte a
maior felicidade ou bem - estar possível para as pessoas por ela afetadas. Uma
ação boa é a que é mais útil, ou seja, a que produz mais felicidade global ou,
dadas as circunstâncias, menos infelicidade. Quando não é possível produzir
felicidade ou prazer devemos tentar reduzir a infelicidade. Costuma-se resumir
o princípio de utilidade mediante a fórmula «A maior felicidade para o maior
número». Esta fórmula foi cunhada por Francis Hutchinson e não aparece tal e
qual nos escritos de Mill.
MORALMENTE
INCORRETO ou MORALMENTE CORRETO
Ação
moralmente incorreta
A ação que tem más consequências ou dadas as
circunstâncias piores consequências do que ações alternativas.
O que é uma
ação com más consequências?
- Ação cujos resultados não contribuem para um
aumento da felicidade (bem – estar) ou diminuição da infelicidade do maior
número possível de pessoas por ela afetadas.
- Ação egoísta em que a felicidade do maior número
não é tida em conta ou em que só o meu bem – estar ou satisfação é procurado.
- Ação que não se subordina ao princípio de
utilidade.
Ação
moralmente correta
A ação que tem boas consequências ou dadas as
circunstâncias melhores consequências do que ações alternativas.
O que é uma
ação com boas consequências?
-Ação cujos resultados contribuem para um aumento
da felicidade (bem – estar) ou diminuição da infelicidade do maior número
possível de pessoas por ela afetadas.
- Ação subordinada ao princípio de utilidade.
NÃO HÁ
DEVERES ABSOLUTOS
Para o utilitarista as ações são moralmente
corretas ou incorretas conforme as consequências: se promovem imparcialmente o
bem-estar são boas. Isto quer dizer que não há ações intrinsecamente boas. Só
as consequências as tornam boas ou más. Assim sendo, não há, para o
utilitarista, deveres que devam ser respeitados sempre e em todas as
circunstâncias. Se para a ética kantiana, alguns atos como matar, roubar ou
mentir são absolutamente proibidos mesmo que as consequências sejam boas, para
Mill justifica-se, por vezes, matar, deixar morrer, roubar ou mentir.
O PRINCÍPIO
DE UTILIDADE E AS NORMAS MORAIS VIGENTES
As normas morais comuns estão em vigor em muitas
sociedades por alguma razão. Resistiram à prova do tempo e em muitas situações
fazemos bem em segui-las nas nossas decisões. Contudo, não devem ser seguidas
cegamente. Nas nossas decisões morais devemos ser guiados pelo princípio de
utilidade e não pelas normas ou convenções socialmente estabelecidas. Dizer a
verdade é um ato normalmente mais útil do que prejudicial e por isso a norma
«Não deves mentir» sobreviveu ao teste do tempo. Segui-la é respeitar a
experiência de séculos da humanidade. Mas há situações como em que não
respeitar absolutamente uma determinada norma moral e seguir o princípio de
utilidade terá melhores consequências globais do que respeitá–la.
FELICIDADE
GERAL E FELICIDADE INDIVIDUAL
A minha felicidade não é mais importante do que a
felicidade dos outros. O utilitarismo de Mill não defende que tenhamos de
renunciar à nossa felicidade, a uma vida pessoal em nome da felicidade do maior
número. Trata-se através da educação segundo o princípio de utilidade de abrir
um espaço amplo para que a inclinação para o bem geral se sobreponha com
frequência cada vez maior ao egoísmo. O princípio da maior felicidade em Mill
exige que cada indivíduo se habitue a não separar a sua felicidade da
felicidade geral sem deixar de ter projetos, interesses e vida pessoal.
UM EXEMPLO
ILUSTRATIVO DA TEORIA ÉTICA DE MILL
Imagine que um grupo de terroristas se apodera de
um avião em Berlim. Os seus passageiros e tripulantes ficam reféns. Contudo, os
terroristas propõem libertá-los se um cidadão local que eles consideram
envolvido em atividades antiterroristas lhes for entregue para ser morto. Se as
autoridades da cidade não colaborarem no prazo de quatro horas ameaçam fazer
explodir o aparelho com todas as pessoas lá dentro. As autoridades locais sabem
que o cidadão em causa não cometeu o menor crime durante a sua vida e que os
terroristas estão enganados, pois não participou na morte de membros do grupo
que agora dele se quer vingar. Não obstante, sabem que será vã a tentativa de
convencer os terroristas de que estão enganados. Após longa deliberação decidem
entregar o referido cidadão aos terroristas que libertam os reféns e matam quem
queriam matar.
Posição de Mill
Ação moralmente correta
Justificação
Há que ter em conta a ação que produziria mais
felicidade global. O que produz mais infelicidade? Deixar morrer um inocente ou
deixar eventualmente morrer dezenas de inocentes? Quantas famílias não ficariam
enlutadas caso não se cedesse às pretensões dos terroristas? Para Mill
justifica-se, por vezes, matar, deixar morrer, roubar ou mentir. Nenhum desses
atos é intrinsecamente errado e, por isso, os deveres que proíbem a sua
realização não devem ser considerados absolutos. Deve notar – se que estamos a
referir – nos a um caso dramático em que as alternativas – permitir a morte de um ou permitir a morte de
muitos – são ambas repugnantes. Mas há que optar e, segundo Mill, seguir um
princípio como cumpre o dever é vago.
sexta-feira, 1 de setembro de 2017
domingo, 13 de agosto de 2017
Conceitos lógicos elementares: algumas exemplificações.
1.
Inferência e argumento.
É usual afirmarmos que a
lógica estuda inferências e argumentos. Há, pois, a necessidade de
compreendermos o que são inferências e argumentos.
Inferir é concluir, é extrair informação nova a
partir de raciocínio, do encadeamento de informações disponíveis. A noção de
inferência pode ser trabalhada, por exemplo, a partir da resolução de enigmas
lógicos. (Ao procurar decifrá-los, faz-se uma série de encadeamentos e,
subsequentemente, de inferências.) Pode-se, igualmente, ilustrar o processo de
inferência a partir da conversa entre duas galinhas, como na tira de Fernando
Gonsales (veiculada no caderno Ilustrada do jornal Folha de S.Paulo, em 05 de outubro
de 2007 e abaixo reproduzida):
As informações disponíveis que as galinhas detinham
diziam respeito ao sumiço de Lilian - uma outra galinha - e ao aparecimento de
um “cara” comendo uma coxinha de galinha. A partir destes pressupostos, as
galinhas da ilustração inferiram que a Lilian dera comida como suborno,
garantindo a sua liberdade. Já os leitores que apreciaram a tirinha, dados os
mesmos pressupostos, inferiram diferentemente, chegando à conclusão que a
coxinha devorada pelo “cara” é a da própria Lilian, pobre galinha...
A partir da noção de inferência, torna-se possível
conceituar premissa e conclusão. Dá-se o nome de conclusão à informação que é
extraída do processo de inferência. Já as informações que servem de fundamento
para as inferências (ou raciocínios) são denominadas premissas: são os
pressupostos disponíveis que justificam, embasam, oferecem sustento adequado
para a aceitação da conclusão.
E o que vem ser um argumento? Trata-se de um
conjunto encadeado de sentenças declarativas, das quais uma é a conclusão, as
demais, premissas, e espera-se que as premissas justifiquem a conclusão. Nesse
sentido, se a inferência é um processo mental, um argumento é a expressão da
inferência, enunciando as hipóteses tomadas como base (premissas) e encadeando
as mesmas com a informação nova dali extraída (conclusão).
Os exemplos de argumentos são inúmeros nos textos
filosóficos e não filosóficos. E muitos são os tipos possíveis de estrutura
argumentativa. Não cabe no escopo deste artigo discorrer sobre tal variedade.
Contentemo-nos com duas ilustrações: uma filosófica; outra extraída de um
artigo de jornal.
Texto
de Patrícia Del Nero Velasco, Sobre o
Lugar da Lógica na Sala de Aula, publicado: Revista Sul-Americana de
Filosofia da Educação – RESAFE. Número 13: novembro/2009 – abril/2010.
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