sexta-feira, 18 de março de 2016

Torna-te quem tu é




"Quanta verdade suporta um espírito? Pois bem, não somos nada! Somos este caos que se perde nas bordas de si mesmo, um animal na jaula, somos as ondas que batem contra o rochedo, somos o deserto que se esparrama pelo mapa, por onde os ventos cruzam e as dunas se movem. [...] Mas estas forças que nos constituem estão constantemente pressionando, arrastando, empurrando o homem de um lado para o outro. Quem crê no sujeito são os fracos. Tornar-se quem se é significa transvalorar os valores, escolher outros, novos, brilhantes. Encontrar um modo de vida propício ao aumento de suas próprias forças vitais. Quebrar a corrente de escravo, nem mestre nem Deus, não ter mais nenhum senhor além de si mesmo." 

NIETZSCHE.

quarta-feira, 16 de março de 2016

ARISTÓTELES e a METAFÍSICA



Nascido na cidade de Estagira, dominada pela Macedônia, Aristóteles se transferiu para Atenas em 367 antes de Cristo, ingressando na Academia, o centro de estudos fundado por Platão vinte anos antes. Em 347, com a morte de Platão, deixa Atenas e vive em Assos e em Mitilene. Em 343, chamado pelo rei da Macedônia, Filipe, torna-se preceptor de Alexandre, filho de Filipe, que em 336 seria coroado rei e iniciaria a expansão do império macedônio até a Índia — o que lhe valeria o título de Alexandre, o Grande. Retornando a Atenas em 335, Aristóteles funda o Liceu, uma escola superior constituída nos mesmos moldes da Academia. Em 322, já afastado de Atenas devido ao sentimento antimacedônio predominante na cidade — que desde 338 estava sob o poder de Filipe —, o filósofo morre em Cálcis, na ilha de Eubéia.

“Todos os homens tendem ao saber”

A seguir, os primeiros parágrafos do livro I da Metafísica de Aristóteles.

“Todos os homens, por natureza, tendem ao saber. Sinal disso é o amor pelas sensações. De fato, eles amam as sensações por si mesmas, independentemente da sua utilidade e amam, acima de todas, a sensação da visão. Com efeito, não só em vista da ação, mas mesmo sem ter nenhuma intenção de agir, nós preferimos o ver, em certo sentido, a todas as outras sensações. E o motivo está no fato de que a visão nos proporciona mais conhecimentos do que todas as outras sensações e nos torna manifestas numerosas diferenças entre as coisas.
Os animais são naturalmente dotados de sensação; mas em alguns da sensação não nasce a memória, ao passo que em outros nasce. Por isso estes últimos são mais inteligentes e mais aptos a aprender do que os que não têm capacidade de recordar. São inteligentes, mas incapazes de aprender, todos os animais incapacitados de ouvir os sons (por exemplo a abelha e qualquer outro gênero de animais desse tipo); ao contrário, aprendem todos os que, além da memória, possuem também o sentido da audição.
Ora, enquanto os outros animais vivem com imagens sensíveis e com recordações, e pouco participam da experiência, o gênero humano vive também da arte e de raciocínios. Nos homens, a experiência deriva da memória. De fato, muitas recordações do mesmo objeto chegam a constituir uma experiência única. A experiência parece um pouco semelhante à ciência e à arte. Com efeito, os homens adquirem ciência e arte por meio da experiência. A experiência, como diz Polo, produz a arte, enquanto a inexperiência produz o puro acaso. A arte se produz quando, de muitas observações da experiência, forma-se um juízo geral e único passível de ser referido a todos os casos semelhantes.
Por exemplo, o ato de julgar que determinado remédio fez bem a Cálias, que sofria de certa enfermidade, e que também fez bem a Sócrates e a muitos outros indivíduos, é próprio da experiência; ao contrário, o ato de julgar que a todos esses indivíduos, reduzidos à unidade segundo a espécie, que padeciam de certa enfermidade, determinado remédio fez bem (por exemplo, aos fleumáticos, aos biliosos e aos febris) é próprio da arte.
Ora, em vista da atividade prática, a experiência em nada parece diferir da arte; antes, os empíricos têm mais sucesso do que os que possuem a teoria sem a prática. E a razão disso é a seguinte: a experiência é conhecimento dos particulares, enquanto a arte é conhecimento dos universais; ora, todas as ações e as produções referem-se ao particular. De fato, o médico não cura o homem a não ser acidentalmente, mas cura Cálias ou Sócrates ou qualquer outro indivíduo que leva um nome como eles, ao qual ocorra ser homem. Portanto, se alguém possui a teoria sem a experiência e conhece o universal mas não conhece o particular que nele está contido, muitas vezes errará o tratamento, porque o tratamento se dirige, justamente, ao indivíduo particular.”
 

Metafísica, de Aristóteles, edição de Giovanni Reale, tradução de Marcelo Perine, volumes I (Ensaio introdutório), II (Texto grego com tradução ao lado) e III (Sumário e comentários), Edições Loyola (telefone 11 6914-1922).

quarta-feira, 9 de março de 2016

O que é o governo?



Pensamento anarquista. É importante  que sejamos  céticos quanto à esta resposta, afinal não devemos aceitar um único ponto de vista, é importante pensar sob várias perspectivas.